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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Resgate Histórico - Carta de Allan Kardec a propósito da Humildade


Continuando com a série de correspondências inéditas de Allan Kardec publicadas pela revista Reformador no início do século XX, o Blog História do Espiritismo apresenta uma nova correspondência de Allan Kardec.


Carta de Allan Kardec a propósito da Humildade
Sr. ,(1)
   Recebi a carta que me fizestes a honra de escrever e à qual não foi possível ainda responder por minha culpa; mas nestes últimos tempos minhas ocupações têm sido tão multiplicadas, que minha correspondência, que é muito numerosa, tem sofrido muito. Declaro-vos francamente, Sr., não ter bem compreendido o objeto de vossa carta, que não me parece ter relação direta com os trabalhos que me ocupo. Não vejo, pois, que responder-lhe senão que pareceis rebaixar-vos muito; não é preferível a humildade exagerada a um orgulho deslocado. Ignoro se conheceis a doutrina espírita: ela nos ensina que os sentimentos do coração somente nos elevam aos olhos de Deus, que não tem em conta alguma o nascimento ou a posição social. O Cristo no-lo provou nascendo de pais pobres, em um estábulo.
   Os homens, sem dúvida, não julgam todos sob esse ponto de vista; mas se para muitos o prestigio da fortuna e do nascimento é uma medida de sua estima, nós vemos, entretanto, cada dia, graças ao progresso das idéias, caírem as barreiras levantadas pelos prejuízos. A primeira de todas as aristocracias que se formou é a da força brutal; a do nascimento acompanhou-a; depois veio a do dinheiro; a da inteligência começa; mas a mais legítima de todas, a única reconhecida por Deus é a da virtude, porque a única cujos méritos nos acompanham além do túmulo: é seu reino que a doutrina espírita prepara. Se quiserdes estudar seriamente essa doutrina, eu vos aconselho a fazê-lo no ponto de vista moral e filosófico; é nesse sentido que ela oferece inesgotáveis tesouros ao observador consciencioso.
Aceitai etc.
                                                                                                          Allan Kardec

(1) O nome do destinatário não foi conservado.

Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador em 1914, página 322.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Carta de Allan Kardec a Théophile Gautier

                                                             (Théophile Gautier por Félix Nadar - 1856) 


Dando seguimento à série de correspondências inéditas de Allan Kardec, o Blog História do Espiritismo apresenta uma carta de Allan Kardec dirigida ao importante escritor francês Théophile Gautier (1811 – 1872), autor do romance Spirite (ver comentários de Kardec a respeito do romance na Revista Espírita de dezembro de 1865 e março de 1866).


Paris, 12 de junho de 1857.
Senhor,
   Peço-vos que aceiteis a homenagem de um exemplar de O Livro dos Espíritos, que acabo de publicar.
   O ponto de vista novo, eminentemente sério e moral, sob o qual a doutrina dos Espíritos é encarada, explica o interesse que ligo a essa questão, ao mesmo tempo de futuro e de atualidade e ao qual creio que não sois estranho.
   Notareis, sem esforço, o passo imenso que esta teoria deu desde as mesas girantes; não se trata mais, com efeito, hoje, de fenômenos de simples curiosidade, mas de um ensinamento completo dado pelos próprios Espíritos sobre todas as questões que interessam a humanidade e que elevo á altura das ciências filosóficas.
   A aprovação de um homem como vós, ser-me-ia infinitamente preciosa, se tivesse a felicidade de obtê-la.
   Peço-vos que digneis receber a expressão de minha mais alta consideração.

                                                                                                                   Allan Kardec.
   
Rue des Martyrs, 8.



Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador em 1917, página 268. Tradutor desconhecido.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais uma correpondência inédita de Sardou



Dando continuidade à série de correspondências inéditas de Allan Kardec (ou direcionadas a ele) que foram publicadas pela revista Reformador no início do século XX, apresento mais uma carta de Victorien Sardou direcionada a Allan Kardec:

Caro Sr. Rivail.
Meu primo du Counet apresenta-me o Dr. B..., que tratou de Rachel até a sua última hora e pede-me que lhe facilite o estudo do Espiritismo. O Dr. tem visto muitos fatos de magnetismo e de sonambulismo; meu primo aconselhou-o a ler O Livro dos Espíritos e esta leitura produziu uma viva impressão no espírito do doutor; uma longa conversa que tive ontem com ele provou-me que está nas melhores disposições para entender os fenômenos espíritas. Venho, pois, pedir-vos para terdes a bondade de admiti-lo em vossa sessão de terça-feira. Se acolherdes o meu pedido, que é o do doutor, não tendes resposta a dar-me, em virtude do provérbio: - quem cala consente etc., etc.
                                                                                                                Victorien Sardou


Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador em 1914, página 321 e 322. Tradutor desconhecido.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Resgate histórico - Carta de Allan Kardec a um Prisioneiro



Em dezembro de 1913, a Revue Spirite (na época dirigida por Paul Leymarie) e a revista brasileira Reformador passaram a publicar em conjunto algumas correspondências inéditas de Allan Kardec.  Pensava-se em publicá-las em ordem cronológica entre os anos de 1858 a 1869, porém a publicação foi interrompida por causa da Primeira Guerra Mundial (ver Reformador de 1974, página 261). O Blog História do Espiritismo está resgatando essas correspondências e passará a apresentá-las para o movimento Espírita.

Carta de Allan Kardec a um prisioneiro
   Sr., Recebi a carta que me escrevestes e à qual sinto que as ocupações não me tenham permitido responder mais cedo. Apesar de meu silencio não podeis duvidar de todo o interesse que tenho em vossa situação, sendo, sobretudo, os excelentes sentimentos de que estais animada e nos quais, graças à nova luz que se fez para voz, não duvido que persistais. Continue, pois, a vos esclarecer, tanto quanto vossa posição o permite e encontrareis nessa santa doutrina e nos conselhos de vossos guias espirituais, as forças necessárias para resistir aos maus arrastamentos e a expiação terrestre aceita por vós com resignação cristã vos libertará das provas de outro modo muito penosas, que teríeis de sofrer sem volta sincera para Deus.
   Imaginai que nunca é muito tarde para voltar ao bem e que Deus aceita todos os arrependimentos que partem do coração. Ele recebe com alegria a ovelha desgarrada que entra no aprisco e é isso sempre motivo de festa entre os Espíritos. Perseverai, pois, e quando deixardes a Terra para entrar em vossa verdadeira pátria, encontrá-los-eis à vossa chegada felizes por vos poderem estender os braços.
   Oh! Então, de que alegria sereis penetrado, quando tiverdes saído do abismo em que alguns passos mais poderiam precipitar-vos, por muito longo tempo, por séculos talvez! Olhai para trás, e vossa vida passada não vos parecerá mais que um mau sonho. Quanto então agradecereis a Deus ter-vos enviado bons Espíritos para vos esclarecer e sustentar!
   É já alguma coisa não praticar mais o mal e arrepender-se do que se fez; mas, para apagá-lo completamente, é preciso fazer o bem; ora, cada alma que tiverdes ajudado a entrar no bom caminho, vos será contada e ajuntará à vossa parte de felicidade futura alguma coisa, porque vos pagará em reconhecimento o serviço que lhe tiverdes prestado.
   Aquele que está sempre pronto a vos ajudar com seus conselhos, Allan Kardec.

Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador de 1914, paginas 170 e 171. Tradutor desconhecido.
Agradecimento: Nosso sincero agradicimento à bibliotecária Ana Prado, pelo envio deste material.
Outras obras consultadas: Barrera, Florentino - Resumo Analítico das obras de Allan Kardec. Madras, 2003, página 175.