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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Espiritismo na Televisão Espanhola


     
    Em um dos meus passeios pela internet, procurando informações sobre a trajetória do Espiritismo em outros países, encontrei um interessante (e recente) debate sobre o Espiritismo na TV espanhola e resolvi compartilhá-lo com vocês. Vale a pena assistir.
Link: http://www.rtve.es/alacarta/videos/para-todos-la-2/para-todos-2-debate-espiritismo/1318630/

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Colavida, o "Kardec espanhol"



Nascido quinze anos depois de Allan Kardec, José Maria Fernandez Colavida perdeu os bens, a família, mas encontrou o consolo n' O Livro dos Espíritos, ganho do capitão da marinha. Ele viria a se tornar um dos maiores divulgadores do Espiritismo na Espanha


 Eduardo Carvalho Monteiro



José Maria Fernandez Colavida nasceu dia 19 de março de 1819, em Tortosa, na província de Taragona. Filho de pais afortunados, ele recebeu, nos seus primeiros anos, instrução das mais significativas para sua época. Seu pai, D. Pio, secretário do governo militar e político de Tortosa, com a morte do rei Fernand VII, sofreu muitas perseguições daqueles que invejavam sua sorte, chegando a ser destituído do cargo e exilado.
 Estas perseguições se estenderam a toda a família, particularmente, a José Maria Fernandez, por ser o primogênito dos oito filhos de D. Pio. Isso o obrigou a abandonar o seio paterno e seu país, antes dos 16 anos, e a prestar seus serviços voluntários ao Exército. Em 1º de novembro de 1835 ele se incorporou na 6ª Companhia do 1º Batalhão de Tortosa sob as ordens do comandante Louis Llagostera. Colavida foi feito prisioneiro em Morella, após heróica defesa deste lugar como tenente-coronel. Foi, posteriormente, transportado a Cadiz com outros prisioneiros de guerra, tomando conhecimento, durante o trajeto, da execução de seu pai, fuzilado em 15 de julho de 1835.
Todas essas tristezas, sem dúvida, influíram a alma de Fernandez, fazendo com que ele trabalhasse, mais tarde, pela paz, muito mais do que o fez na guerra.
A luta termina e ele recobra a liberdade em 25 de setembro de 1841, voltando a Barcelona, onde resolveu acabar seus estudos de notário. Colavida não exerceu a profissão, mas ficou à testa da repartição na qual trabalhou.
Sua iniciação no estudo do Espiritismo teve lugar em uma viagem que fez a Madrid, quando leu O Livro dos Espíritos, cedido pelo capitão da Marinha Mercante Ramon Lagier y Pomares.
Fernandez Colavida, que sempre se distinguiu por sua caridade extrema, foi um dos mais entusiastas fundadores da Sociedade Amigos dos Pobres. Defendendo os interesses desta Sociedade, a qual presidiu, ganhou muitos inimigos.
 No momento do apogeu da última guerra carlista, ele lutou empenhando todos os seus esforços para conseguir a paz, com seu gênio e seus eminentes sacrifícios. Colavida reuniu, para fazer chegar às mãos armadas dos carlistas, milhares de proclamações pela paz. Teve a felicidade de ver sua empreitada coroada de sucesso e recusou todas as recompensas, inclusive quando lhe foi oferecida a patente de coronel.

Apóstolo do Espiritismo


Pelos grandes empreendimentos que liderou na sua trajetória de divulgador e praticante do Espiritismo, por suas renúncias e dedicação aos mais carentes, Colavida, um dos apóstolos do Espiritismo na Espanha, foi considerado o "Kardec espanhol". Sua fortuna e a de sua família foram reduzidas pelos azares da guerra civil, e tudo o que ganhava pelo seu trabalho, doava aos miseráveis ou consagrava à propaganda espírita, já que perdera o pai, como dito, e também a mãe, em morte violenta. Mas seu caráter era por todos reconhecido, devido à humildade e modéstia.
O Congresso Espírita de 1888 se reuniu em Barcelona, ocasião em que Colavida foi aclamado, com entusiasmo, presidente honorário; justa recompensa por seus méritos.

Empreendimentos de Colavida

Aconselhado pelos espíritos, ele começou a tradução e a publicação das obras fundamentais do Espiritismo. Mas, não se contentando apenas com estas publicações, funda o primeiro Centro de Estudos Espíritas em Barcelona e a Sociedade Barcelonesa Propagandista do Espiritismo, que ele sustentou da mesma maneira que a Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, de Allan Kardec. O primeiro número apareceu em maio de 1869.
 Colavida era a alma do jornal e da Sociedade que em 1875 já havia publicado as obras fundamentais da Doutrina, os resumos de Allan Kardec, além de A Verdadeira Doutrina Espírita, Harmonia da Lei e da Razão, O Espiritismo na Bíblia, Harmonia Universal, duas edições da Coleção de Orações, Melodia para o Espírito de Isem, Celeste e Ensaios de um Quadro Sinótico para a Unidade Religiosa do Espírito Romano Leila. Tudo isso faz de Fernandez Colavida o mais importante divulgador do Espiritismo na Espanha em sua época.

Propagação do Espiritismo

Durante o período de trinta anos, ele se dedicou assiduamente ao estudo e à propagação do Espiritismo. Os estudos profundos nos livros de Allan Kardec e da Revista Espírita, e as observações diretas dos espíritos nas sessões dos centros que fundou e dirigiu, deram-lhe grande conhecimento da ciência espírita, tornando-o conselheiro dos irmãos mais experimentados.
Reuniu numerosa e extensa correspondência, enfeixadas em volumes de ensinamentos. Também uns de seus mais importantes trabalhos foram os estudos sobre magnetismo, subordinados às observações e aos fins propostos pelo Espiritismo. Fora um grande magnetizador e desenvolvera grande número de médiuns sonâmbulos. Realizou notáveis experiências e obteve prodigiosos resultados em sonambulismo lúcido aplicado ao Espiritismo. Apoiava-se em sua esposa, Ana de Campos, médium de excepcionais dotes, falecida em 5 de maio de 1882, e com a qual fora casado por 16 anos.
Talvez pelo seu amor excessivo à ciência, abusou insensivelmente de suas poderosas faculdades, usando sua energia vital e minando forças na sua última doença. Colavida Fernandez também editou: Leila ou Provas de um Espírita (2º parte); Catecismo Espírita de Joseph Henri Turck; Lições de Espiritismo para as Crianças, O Espiritismo e a Moral, Obscuridade e Luzes, de Navarro Murillo, Contra os Cursos de Tarô, mesmo autor; O romance ouvido e executado ao piano pelos médiuns sonâmbulos, senhoritas Avelina Colom e Pilar Rafecas Cassy, inspiradas pelo espírito protetor do grupo A Paz e por último, a obra de Gabriel Delanne, O Espiritismo diante da ciência, traduzido do francês por D. Juan Juste.
Apesar das grandes perdas, ele não quis deixar seu sonho de fazer novas publicações espíritas, quando a morte veio surpreendê-lo. Um dos seus desejos, o último e maior, foi o de ver continuar sua obra de propaganda e, principalmente, sua querida revista.
Desencarnou em Barcelona em 29 de abril de 1909 (1)


Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=91&Itemid=37


Correção do blog:

1- A data do desencarne de Colavida não é 29 de abril de 1909, mas sim é 1 dezembro de 1888 (agradeço o lembrete da leitora Simoni Goidanich). Quem desencarnou em 29 de abril de 1909 foi outra grande figura do Espiritismo na Espanha, Amalia Domingo Soler.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Apóstolos do Espiritismo na Espanha


 Em homenagem aos nossos amigos espíritas da Espanha com quem temos tido a oportunidade de dialogar por e-mail e também contado com a honra da visita a este blog, segue uma correspondência de Manuel Gonzáles Soriano (1837 - 1885), um dos grandes nomes do Espiritismo na Espanha, endereçada a Allan Kardec.



                                                        Manuel Gonzalez Soriano


Ciudad-Real, fevereiro de 1869.

Ao Sr. Allan Kardec.

Caro Senhor,

 Os espíritas que compõem o círculo da cidade de Andújar, hoje disseminados pela vontade de Deus para a propagação da verdadeira Doutrina, vos saúdam fraternalmente.

 Ínfimos pelo talento, grandes pela fé, propomo-nos sustentar a Doutrina Espírita, tanto pela imprensa, como pela palavra, tanto em público como em particular, porque é a mesma que Jesus pregou, quando veio à Terra para a redenção da Humanidade.

 A Doutrina Espírita, chamada a combater o materialismo, a fazer prevalecer a divina palavra, a fim de que o espírito do Evangelho não seja mais truncado por ninguém, a preparar o caminho da igualdade e da fraternidade, necessita hoje, na Espanha, de apóstolos e de mártires. Se não podemos ser os primeiros, seremos os últimos: estamos prontos para o sacrifício.

 Lutaremos sós ou em conjunto, com os que professam nossa Doutrina. Os tempos são chegados; não percamos, por indecisão ou por medo, a recompensa que está reservada aos que sofrem e são perseguidos pela justiça.

 Nosso grupo era composto de seis pessoas, sob a direção espiritual do Espírito Fénelon. Nosso médium era Francisco Perez Blanca, e os outros: Pablo Medina, Luís Gonzalez, Francisco Marti, José Gonzalez e Manuel Gonzalez.

 Depois de haver espalhado a semente em Andújar, estamos hoje em diversas cidades: Leon, Sevilha, Salamanca, etc., onde cada um de nós trabalha na propagação da Doutrina, o que consideramos como nossa missão.

 Seguindo os conselhos de Fénelon, vamos publicar um jornal espírita. Desejando ilustrá-lo com extratos tirados das obras que publicastes, pedimos que nos concedais a permissão. Além disso, ficaríamos muito contentes com a vossa benévola cooperação e, para tal fim, pomos à vossa disposição as colunas do nosso jornal.

 Agradecendo-vos antecipadamente, rogamos saudar, em nosso nome, os nossos irmãos da Sociedade de Paris.

 E vós, caro senhor, recebei o fraternal abraço de vossos irmãos. Por todos,

Manuel Gonzalez Soriano


 Em muitas ocasiões já dissemos que a Espanha contava numerosos adeptos, sinceros, devotados e esclarecidos. Aqui, não é mais devotamento, é abnegação; não uma abnegação irrefletida, mas calma, fria, como a do soldado que marcha para o combate, dizendo: Custe-me o que custar, cumprirei o meu dever. Não é essa coragem que flameja como um fogo de palha e se extingue ao primeiro alarme; que, antes de agir, calcula cuidadosamente o que pode perder ou ganhar: é o devotamento daquele que põe o interesse de todos acima do interesse pessoal.

 Que teria sucedido às grandes idéias que fizeram avançar o mundo, se só tivessem encontrado defensores egoístas, devotados em palavras enquanto nada tivessem a temer e a perder, mas se dobrando ante um olhar de ameaça e o medo de comprometer algumas parcelas de seu bem-estar? As ciências, as artes, a indústria, o patriotismo, as religiões, as filosofias têm tido os seus apóstolos e os seus mártires. O Espiritismo também é uma grande idéia regeneradora; apenas surge; ainda não está completo, e já encontra corações devotados até a abnegação, até o sacrifício; devotamentos muitas vezes ignorados, não buscando a glória nem o brilho, mas que, por agir numa pequena esfera, nem por isso são menos meritórios, porque moralmente mais desinteressados.

 Contudo, em todas as causas, os devotamentos em plena luz são necessários, porque eletrizam as massas. Não está longe o tempo, isto é certo, em que o Espiritismo terá também seus grandes defensores que, afrontando os sarcasmos, os preconceitos e a perseguição, empunharão sua bandeira com a firmeza que dá a consciência de fazer uma coisa útil; apoiá-lo-ão com a autoridade de seu nome e de seu talento, e seu exemplo arrastará a multidão dos tímidos que, por prudência, se tenham mantido afastados.

 Nossos irmãos da Espanha abrem a marcha; cingem os rins e se preparam para a luta. Que recebam os nossos cumprimentos e os de seus irmãos em crença de todos os países, porque entre os espíritas não há distinção de nacionalidades. Seus nomes serão inscritos com honra ao lado dos corajosos pioneiros, aos quais a posteridade deverá um tributo de reconhecimento, por terem sido os primeiros a pagar com suas pessoas e contribuído para o soerguimento do edifício.

 Significa dizer que o devotamento consiste em tomar o bastão de viagem para ir pregar pelo mundo a toda a gente? Não, certamente; em qualquer lugar onde se esteja pode-se ser útil. O verdadeiro devotamento consiste em saber tirar o melhor partido de sua posição, pondo ao serviço da causa, o mais utilmente possível e com discernimento, as forças físicas e morais que a Providência distribuiu a cada um.

 A dispersão desses senhores não se deveu à sua vontade. Reunidos, inicialmente, pela natureza de suas funções, estas os chamaram a vários pontos da Espanha. Longe de desanimarem por esse isolamento, compreenderam que, ficando unidos por pensamento e ação, poderiam fincar a bandeira em vários centros, e que assim sua separação redundaria em proveito da vulgarização da idéia.

 Assim se deu num regimento francês, onde um certo número de oficiais tinha formado grupos, dos mais sérios e mais bem organizados que vimos. Animados de um zelo esclarecido e de um devotamento a toda prova, seu objetivo era, primeiramente, instruir-se a fundo nos princípios da Doutrina e, depois, exercitasse na palavra, impondo-se a obrigação de tratar, cada um por sua vez, uma questão, para se familiarizarem na controvérsia. Fora de seu círculo pregavam pela palavra e pelo exemplo, mas com prudência e moderação; não procurando fazer a propagação a qualquer preço, a tornavam mais proveitosa. Deslocado o regimento, se espalharam por várias cidades; assim o grupo se dispersou materialmente, mas, sempre unido em intenções, prossegue sua obra em pontos diferentes.

Allan Kardec

Fonte: Revista Espírita - março de 1869


Confiram um resumo biográfico de Manuel González Soriano: http://grupoespiritaisladelapalma.wordpress.com/2010/01/03/manuel-gonzalez-soriano-1836-1885/