sexta-feira, 25 de março de 2011

Cairbar Schutel - O Bandeirante do Espiritismo


(Cairbar Schutel)



Navegando pela internet, encontrei um interessante documentário contando a vida de Cairbar Schutel, o bandeirante do Espiritismo no Brasil. O documentário foi produzido pela extinta TV Morada do Sol, de Araraquara, São Paulo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Primeiro Encontro de Léon Denis com Allan Kardec

                                                     (Léon Denis)

Eduardo Carvalho Monteiro

 
Havia apenas três anos que Léon Denis se iniciara no Espiritismo quando, em 1867, Allan Kardec aceitou um convite para pronunciar uma conferência em Tours. Léon Denis teve então a oportunidade de se entrevistar com o Codificador na quinta de Leandre Rebondin, que hospedava o casal Rivail, conforme descreve o próprio Denis:

Alugáramos para recebê-lo e ouvi-lo, uma sala na Rua Paul Louis Courrier e pedíramos a necessária autorização à Prefeitura pois, durante o Império, uma severa lei proibia qualquer reunião de mais de vinte pessoas. Acontece que no momento fixado para essa assembléia fomos informados de que o nosso pedido fora indeferido. Encarregaram-me então de permanecer no local a fim de avisar os convidados de que deviam dirigir-se a Spirito-Villa, a casa do senhor Rebondin, na rua Sentier, onde a reunião se iria realizar no jardim. Éramos aproximadamente trezentos ouvintes, em pé, apertados de encontro às arvores. Sob a claridade das estrelas, a voz doce e grave de Allan Kardec fazia-se ouvir; podia-se ver a sua fisionomia, iluminada por uma pequena lâmpada colocada sobre uma mesa no centro do jardim, proporcionando um aspecto fantástico. Foram-lhe postas várias perguntas e ele respondia com bondade, sorridente... As flores do senhor Rebondin ficaram destruídas, mas o importante foi o sucesso daquela noite...lembrança perpétua e indelével. Falou-nos sobre a obsessão e várias questões lhe foram postas, às quais respondeu sempre bondosamente. Terminada a reunião, todos levaram inefáveis recordações desse memorável encontro.

No dia seguinte, voltei a Spirito-Villa, a fim de visitar o Mestre; encontrei-o trepado numa escada, ao pé de uma grande cerejeira, apanhando os frutos que deitava a madame Allan Karde.Uma cena bucólica que o distraía das suas graves preocupações.

No seu artigo “História do Desenvolvimento do Espiritismo em Tours”, Denis completa a informação dos seus contactos com o mestre de Lyon: Eu vi-o mais duas vezes depois da sua viagem a Tours: na sua residência na Rua Saint Anne, em Paris, e pela última vez em Bonneval, na quinta Petit Bois, onde os espíritas do Eure-et-Loire e Loire-et-Cher estavam reunidos para ouvir os seus discursos e confraternizarem. No ano seguinte, em 1869, morria ele subitamente pela ruptura de um aneurisma.

A Rua Sentier, em Spirito-Villa, tornou-se um lugar importante e histórico para o Espiritismo, pois foi onde aconteceu a primeira conferência espírita à luz das estrelas, e onde se deu o primeiro dos três encontros que Léon Denis teve com Allan Kardec.

Esta importância histórica levou-nos a conhecer o local no ano 2000. O que era uma quinta, em cujo jardim puderam instalar-se 300 pessoas, conforme relata Denis, foi dividida em lotes ainda naquela época, e hoje abriga casas centenárias muito bem cuidadas pelos seus moradores. Uma pequena rua só para peões, dá entrada a Spirito-Villa, a qual percorremos emocionados. Escolhemos uma casa com um vasto jardim, que imaginamos ser uma parte daquele pisado por Allan Kardec para a sua conferência e, com um pouco de receio, tocamos a campainha. Um jovem atendeu e, falando em inglês, pedimos para fotografar o jardim da sua casa, já que éramos pesquisadores e escritores brasileiros e ali, há mais de 130 anos, dera-se um acontecimento muito importante para nós. Confessamos que tínhamos receio de sermos mal recebidos, perante a inusitada história contada. Porém, para surpresa nossa, o jovem André, muito gentil, franqueou-nos a entrada e foi chamar a sua simpática avó, Madame Madeleine Renaud que, além da sua amizade, nos ofereceu uma cópia dos documentos da propriedade, datados de 1840 e autenticados com o selo em branco de Napoleão. Não há dúvida que um documento como este pode não representar quase nada para a história do Espiritismo, mas a fidalguia e a amizade com que aquela família de Tours nos recebeu e confiou nos motivos pelos quais dois desconhecidos, que não falavam a sua língua, lhes bateram à porta, foi quase tão emocionante como pisarmos aquela terra em que sabíamos que dois gigantes do pensamento humano tinham deixado as suas marcas há mais de cem anos. Foi, pois, com os olhos nublados e a recordar a descrição de Léon Denis do seu encontro com o mestre, que passamos alguns minutos naquele jardim, fazendo uma sentida prece e tentando transportar a nossa mente para o distante ano de 1868, para ouvir os ecos das palavras do mestre sob a luz da lamparina e tendo por teto a abóbada celeste. Parecia que a terra ainda guardava a doçura das cerejas caídas aos pés de Amélie Boudet e que o farfalhar das folhas secas, denunciando a chegada do jovem Léon Denis atrasado para o início da reunião, ainda era ouvido pela nossa fantasista audição. E o mesmo sentimento bucólico que Denis viu naquela cena, ele no-lo emprestou, e a nossa imaginação voou alto, muito alto...

Aos privilegiados trezentos ouvintes daquela memorável conferência, somara-se mais um...

Fonte: http://www.geb-portugal.org/Admin/Ficheiros/oencontr369.pdf

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Blog História do Espiritismo Divulgado


A Revista Espírita Histórica e Filosófica, de Porto Alegre, vem nos brindando com excelentes matérias de conteúdo doutrinário e resgate histórico do Espiritismo a cada número que publica. Em sua última edição (edição de número 9), a revista divulgou nosso Blog e publicou uma entrevista nossa. Eis a entrevista na integra: 

REHF - Como surgiu a idéia do Blog?
FELIPE - Desde o meu primeiro contato com a internet que eu a utilizo para estudar o Espiritismo e para buscar registros da história do movimento espírita no mundo. Aprendi muito e também consegui muitas informações preciosas, graças ao esforço de pessoas que procuraram compartilhar seus conhecimentos através da internet. A idéia do blog surgiu quando eu me dei conta de que eu também poderia compartilhar os meus conhecimentos com outras pessoas através da internet.

REHF - Qual a importância da internet na divulgação do Espiritismo?
FELIPE - Uma importância enorme.  A internet é hoje uma das ferramentas mais utilizadas do mundo e serviu para minimizar as distâncias que existem entre os países. Os espíritas não podem ficar negligentes a este fato. Pode-se, portanto, fazer com que a internet seja uma excelente ferramenta para divulgar o Espiritismo para o mundo todo. Contudo, acredito que seja importante fazer um alerta: nem tudo aquilo que se apresenta como sendo espírita o é de fato. É importante ser bastante criterioso antes de aceitar que determinada informação seja uma legítima informação de conteúdo espírita. Não há outra maneira de se adquirir tal critério que o estudo constante das obras de Allan Kardec.

REHF - Por que elegeu a história em teus trabalhos espíritas?
FELIPE - Me apaixonei pela história muito cedo. Lembro-me até hoje do conteúdo de algumas aulas de história que eu tive no primário. Quando eu contava com dezoito anos de idade,  li o livro “A História do Espiritismo” (The History of Spiritualism, título original), de Arthur Conan Doyle e passei e me interessar também pela história do Espiritismo. Desde então tenho procurado conhecer tudo o que já foi escrito a respeito do tema.

REHF - Quais os projetos que está desenvolvendo para o futuro do blog?
FELIPE - Pretendo que o conteúdo do blog possa abranger a maior parte dos lugares onde o Espiritismo se fez presente no passado. E ainda, norteado por uma sugestão de Allan Kardec publicada na Revista Espírita de 1864, pretendo discorrer sobre as causas que puderam favorecer ou retardar o desenvolvimento do Espiritismo nesses locais.

Nota do Blog:

Nossos sinceros agradecimentos aos amigos Cristian Macedo (historiador) e Maria Carolina Gurgacz (editora da revista) pela divulgação e pela entrevista. Quem quiser adquirir a revista na integra ou fazer uma assinatura, entre em contato com Maria Carolina Gurgacz pelo e-mail:  filosofiaespirita@gmail.com. Conheçam também o site: http://revista.filosofiaespirita.com/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas




Membros titulares e membros livres 1858-1869

A - Mme. A., M. Adrien, M. Albert, M. Amy.
B - Mme. B., Mme. A. de B., M. B. de M., M. Charles B., M. Bertrand, M. Emile Blin, M. Boiste, capitão B. ou capitão A. Bourgés, Mme. Boyer, coronel Bruneau.
C - M. C., professor M. C., conde R. C., M. Canaguier, Mme. De Cardone o Mme. C., M. e Mme. Canu, M. y Mme. Cazemajour, M. Camille Chaigneau, M. y Mme. Clément, M. Collin, M. Antoine Costeau, Mme. Costel, Mme. Courtois, advogado J.P.L. Crouzet, M. Crozet.
D - Mme. D., M. D., M. Arnald D’ Ambel, M. Darcol, M. e Mme Alexandre Delanne, M. Demange, Mme. Desi, Mme. Deslandes, M. e Mme. Armand Thèodore Desliens, M. Det, Mlle. Marie Alexandrine Didelot, M. Alfred Didier (pai), M. Alfred Didier (filho), M. Dombre (honorário), Mlle. Dobois, M. e Mme. Dufaux, Mlle. Ermance Dufaux, M. Duscatel.
E - Mlle. Eugènie.
F - M. e Mme. Finet, M. Camille Flammarion, M. Fortier, M. Fourtier.
G - M. G., Mme. viuva de G., doutor de Grand-Boulogne.
H - Mme. H., M. Habach, Mlle. Huet.
J - M.J., Mlle. L.J, M. e Mme. Japhet, Mlle. Ruth Céline Japhet, M. Jean (honorário), M. Jobard, de Bruxelas (honorário), M. Hubert Joly, M. Jonty.
K - M. Krafzoff.
L - Mme. L., M. Labourgeais, M. e Mme. Lampérière, Mlle. Lateltin, M. Lazaro, M. e Mme. Charles Julien Leclerc, M. Ledoyen, M. Edouard Pierre Le Roux, Mme. Lesc., M. e Mme. Jules Nestor Anatolie Levent, M. e Mme. Pierre Gaëtan Leymarie, Mlle. Lida, M. e Mme. Lubrat.
M - Mme. M, M. e Mme. E. Antolie Malet, M. P. F. Monvoisin, M. Morin, M. E. Müller.
N - Mme. N., conde de N. (livre), M. Nant, M. e Mme. Netz, M. Nivard.
P - M. P., Mlle. P ou Mlle. Parissé, Mme. P ou Mme. Parissé, Mme. Pâtet, M. Pécheur, M. Perchet, Mme. De Planinemaison, M. Poudra.
R - M. Achille R., conde de R., M. R. (membro do instituto da França), M. Raboche, Mme. Rakowska, M. Ravan, M. Regnez, M. e Mme. D.H.L. Rivail, M. Julien Rob, Mlle. Marie Robyns, Mme. Roger, M. Rouxel, M. Royer, M. Roze, M. Rul.
S - Mme. S. Mlle. Stéphanie S, M. Emile Sabô, M. Sanson, Mme. Schmidt, M. Solichon, Mlle. Solichon, M. Solve.
T - M. T., M. Tailleur, M. Theubert, M. Thiery.
V - M. Louis Vavasseur, M. E. Vézy, doutor Vignal.
W - M. Winz.
X - M. Xavier
Z - Conde de Z.

Os Médiuns (1858 - 1869)

A - Mme. A., M. Adrien (vidente), M. Albert.
B - Mme. B, Mme. A de B., M. B. de M., M. Charles B., M. Bertrand, Mme. Boyer, M. Br., Mme. Breal, Mlle. Bréguet, Mme. Breul.
C - M. C., Mme. de Cardone ou Mme. C., Mlle. Aline Carlotti ou Mlle. Aline C., Mme. Causse, Mme. Cazemajour, M. Cammile Chaigneau ou M. Ch., M. Collin, Mme. Costel, M. Crozet.
D - M. D., Mme. D., M. Arnald D’Ambel, M. Darcol, Mme. Alexandre Delanne, M. Alexandre Delanne, Mme. Desi, Mme. Armand T. Desliens, M. Armand T. Desliens, M. Alfred Didier (filho), Mlle. Dubois, Mlle. Emance Dufaux.
E - Mlle. Eugénie.
F - M. Camille Flammarion ou M.C.F.
G - Mme. G., Mme. viuva de G., doutor de Grand-Boulogne.
H - Mlle. Huet.
J - Mlle. L.J (medium desenhista), Mlle. Ruth Céline Japhet, M. Jonty.
L - Mme. L., Mme. Lampérière, M. ampérière, Mlle. Lateltin, , Mme. Leclerc, Mme. Lesc.,  Marina Duclos Mme. Pierre Gaëtan Leymarie, M. Pierre Gaëtan Leymarie, Mlle. Lida, Mme. Lubrat.
M - Mme. M., Mme. E. Antolie Malet, M. Morin.
N - M. Nivard.
P - Mme. P., Mlle. Parissé, Mme. Pâtet, M. Pécheur, M. Perchet, Mme. De Planinemaison.
R - M. R., M. Raboche, M. Julien Rob, Mlle. Marie Robyns, Mme. Roger, M. Rouxel, M. Royer, M. Roze.
S - Mlle. Stéphan ou Stéphanie S., Mme. Schmidt, Mlle. Solichon.
T - M. Tail. ou Tailleur.
V - M. Louis Vavasseur (médium poeta), M. E. Vézy.
W - M. Winz (médium pintor)
X - M. Xavier

Membros Correspondentes (1858 - 1869)

França:
M. B.; M. e Mme. Emile Colligon, de Bordeaux; M. Crozet, de L’Havre; M. Léon Denis, de Tours; M. Dombre, de Marmande; professor Brion D’Orgeval, de Toulouse; M. Timoléon Jaubert, de Cacassonne; Mme. R. Jura; M. L., de Troyes; M. S., de Bordeaux.

Exterior:
M. S.L. Bernardaky, de São Petersburgo; Miss Anna Blackwell, de Londres; professor Constantin Delhez, de Viena; José Maria de Fernández Colavida, de Barcelona; M. e Mme. Forbes, de Londres; Dr. Gotti, de Gênova; Dr. De Grand-Boulogne, de Havana; M. Jobard, de Bruxelas; Mme. Elisa Johnson, de Londres; M. Julien, de Belfast; M. Maurice Lachâtre, de Barcelona; conde de N., de Moscou, Sr. Alberico Perón (pseudônimo de Enrique Pastor y Bedoya), de Madri; conde Alexandre Stembock, de São Petersburgo; M. Sérge de M., de Moscou; M. Indermulhe de Wytenbach, de Berna.

Nota do blog:

Esta excelente pesquisa foi realizada pelo saudoso espírita argentino Sr. Florentino Barrera e foi publicada na obra La Sociedad de París, 2ª edição revisada e aumentada, Ediciones Vida Infinita, Buenos Aires, 2002, p. 60 até 63.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Colavida, o "Kardec espanhol"



Nascido quinze anos depois de Allan Kardec, José Maria Fernandez Colavida perdeu os bens, a família, mas encontrou o consolo n' O Livro dos Espíritos, ganho do capitão da marinha. Ele viria a se tornar um dos maiores divulgadores do Espiritismo na Espanha


 Eduardo Carvalho Monteiro



José Maria Fernandez Colavida nasceu dia 19 de março de 1819, em Tortosa, na província de Taragona. Filho de pais afortunados, ele recebeu, nos seus primeiros anos, instrução das mais significativas para sua época. Seu pai, D. Pio, secretário do governo militar e político de Tortosa, com a morte do rei Fernand VII, sofreu muitas perseguições daqueles que invejavam sua sorte, chegando a ser destituído do cargo e exilado.
 Estas perseguições se estenderam a toda a família, particularmente, a José Maria Fernandez, por ser o primogênito dos oito filhos de D. Pio. Isso o obrigou a abandonar o seio paterno e seu país, antes dos 16 anos, e a prestar seus serviços voluntários ao Exército. Em 1º de novembro de 1835 ele se incorporou na 6ª Companhia do 1º Batalhão de Tortosa sob as ordens do comandante Louis Llagostera. Colavida foi feito prisioneiro em Morella, após heróica defesa deste lugar como tenente-coronel. Foi, posteriormente, transportado a Cadiz com outros prisioneiros de guerra, tomando conhecimento, durante o trajeto, da execução de seu pai, fuzilado em 15 de julho de 1835.
Todas essas tristezas, sem dúvida, influíram a alma de Fernandez, fazendo com que ele trabalhasse, mais tarde, pela paz, muito mais do que o fez na guerra.
A luta termina e ele recobra a liberdade em 25 de setembro de 1841, voltando a Barcelona, onde resolveu acabar seus estudos de notário. Colavida não exerceu a profissão, mas ficou à testa da repartição na qual trabalhou.
Sua iniciação no estudo do Espiritismo teve lugar em uma viagem que fez a Madrid, quando leu O Livro dos Espíritos, cedido pelo capitão da Marinha Mercante Ramon Lagier y Pomares.
Fernandez Colavida, que sempre se distinguiu por sua caridade extrema, foi um dos mais entusiastas fundadores da Sociedade Amigos dos Pobres. Defendendo os interesses desta Sociedade, a qual presidiu, ganhou muitos inimigos.
 No momento do apogeu da última guerra carlista, ele lutou empenhando todos os seus esforços para conseguir a paz, com seu gênio e seus eminentes sacrifícios. Colavida reuniu, para fazer chegar às mãos armadas dos carlistas, milhares de proclamações pela paz. Teve a felicidade de ver sua empreitada coroada de sucesso e recusou todas as recompensas, inclusive quando lhe foi oferecida a patente de coronel.

Apóstolo do Espiritismo


Pelos grandes empreendimentos que liderou na sua trajetória de divulgador e praticante do Espiritismo, por suas renúncias e dedicação aos mais carentes, Colavida, um dos apóstolos do Espiritismo na Espanha, foi considerado o "Kardec espanhol". Sua fortuna e a de sua família foram reduzidas pelos azares da guerra civil, e tudo o que ganhava pelo seu trabalho, doava aos miseráveis ou consagrava à propaganda espírita, já que perdera o pai, como dito, e também a mãe, em morte violenta. Mas seu caráter era por todos reconhecido, devido à humildade e modéstia.
O Congresso Espírita de 1888 se reuniu em Barcelona, ocasião em que Colavida foi aclamado, com entusiasmo, presidente honorário; justa recompensa por seus méritos.

Empreendimentos de Colavida

Aconselhado pelos espíritos, ele começou a tradução e a publicação das obras fundamentais do Espiritismo. Mas, não se contentando apenas com estas publicações, funda o primeiro Centro de Estudos Espíritas em Barcelona e a Sociedade Barcelonesa Propagandista do Espiritismo, que ele sustentou da mesma maneira que a Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, de Allan Kardec. O primeiro número apareceu em maio de 1869.
 Colavida era a alma do jornal e da Sociedade que em 1875 já havia publicado as obras fundamentais da Doutrina, os resumos de Allan Kardec, além de A Verdadeira Doutrina Espírita, Harmonia da Lei e da Razão, O Espiritismo na Bíblia, Harmonia Universal, duas edições da Coleção de Orações, Melodia para o Espírito de Isem, Celeste e Ensaios de um Quadro Sinótico para a Unidade Religiosa do Espírito Romano Leila. Tudo isso faz de Fernandez Colavida o mais importante divulgador do Espiritismo na Espanha em sua época.

Propagação do Espiritismo

Durante o período de trinta anos, ele se dedicou assiduamente ao estudo e à propagação do Espiritismo. Os estudos profundos nos livros de Allan Kardec e da Revista Espírita, e as observações diretas dos espíritos nas sessões dos centros que fundou e dirigiu, deram-lhe grande conhecimento da ciência espírita, tornando-o conselheiro dos irmãos mais experimentados.
Reuniu numerosa e extensa correspondência, enfeixadas em volumes de ensinamentos. Também uns de seus mais importantes trabalhos foram os estudos sobre magnetismo, subordinados às observações e aos fins propostos pelo Espiritismo. Fora um grande magnetizador e desenvolvera grande número de médiuns sonâmbulos. Realizou notáveis experiências e obteve prodigiosos resultados em sonambulismo lúcido aplicado ao Espiritismo. Apoiava-se em sua esposa, Ana de Campos, médium de excepcionais dotes, falecida em 5 de maio de 1882, e com a qual fora casado por 16 anos.
Talvez pelo seu amor excessivo à ciência, abusou insensivelmente de suas poderosas faculdades, usando sua energia vital e minando forças na sua última doença. Colavida Fernandez também editou: Leila ou Provas de um Espírita (2º parte); Catecismo Espírita de Joseph Henri Turck; Lições de Espiritismo para as Crianças, O Espiritismo e a Moral, Obscuridade e Luzes, de Navarro Murillo, Contra os Cursos de Tarô, mesmo autor; O romance ouvido e executado ao piano pelos médiuns sonâmbulos, senhoritas Avelina Colom e Pilar Rafecas Cassy, inspiradas pelo espírito protetor do grupo A Paz e por último, a obra de Gabriel Delanne, O Espiritismo diante da ciência, traduzido do francês por D. Juan Juste.
Apesar das grandes perdas, ele não quis deixar seu sonho de fazer novas publicações espíritas, quando a morte veio surpreendê-lo. Um dos seus desejos, o último e maior, foi o de ver continuar sua obra de propaganda e, principalmente, sua querida revista.
Desencarnou em Barcelona em 29 de abril de 1909 (1)


Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=91&Itemid=37


Correção do blog:

1- A data do desencarne de Colavida não é 29 de abril de 1909, mas sim é 1 dezembro de 1888 (agradeço o lembrete da leitora Simoni Goidanich). Quem desencarnou em 29 de abril de 1909 foi outra grande figura do Espiritismo na Espanha, Amalia Domingo Soler.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Apóstolos do Espiritismo na Espanha


 Em homenagem aos nossos amigos espíritas da Espanha com quem temos tido a oportunidade de dialogar por e-mail e também contado com a honra da visita a este blog, segue uma correspondência de Manuel Gonzáles Soriano (1837 - 1885), um dos grandes nomes do Espiritismo na Espanha, endereçada a Allan Kardec.



                                                        Manuel Gonzalez Soriano


Ciudad-Real, fevereiro de 1869.

Ao Sr. Allan Kardec.

Caro Senhor,

 Os espíritas que compõem o círculo da cidade de Andújar, hoje disseminados pela vontade de Deus para a propagação da verdadeira Doutrina, vos saúdam fraternalmente.

 Ínfimos pelo talento, grandes pela fé, propomo-nos sustentar a Doutrina Espírita, tanto pela imprensa, como pela palavra, tanto em público como em particular, porque é a mesma que Jesus pregou, quando veio à Terra para a redenção da Humanidade.

 A Doutrina Espírita, chamada a combater o materialismo, a fazer prevalecer a divina palavra, a fim de que o espírito do Evangelho não seja mais truncado por ninguém, a preparar o caminho da igualdade e da fraternidade, necessita hoje, na Espanha, de apóstolos e de mártires. Se não podemos ser os primeiros, seremos os últimos: estamos prontos para o sacrifício.

 Lutaremos sós ou em conjunto, com os que professam nossa Doutrina. Os tempos são chegados; não percamos, por indecisão ou por medo, a recompensa que está reservada aos que sofrem e são perseguidos pela justiça.

 Nosso grupo era composto de seis pessoas, sob a direção espiritual do Espírito Fénelon. Nosso médium era Francisco Perez Blanca, e os outros: Pablo Medina, Luís Gonzalez, Francisco Marti, José Gonzalez e Manuel Gonzalez.

 Depois de haver espalhado a semente em Andújar, estamos hoje em diversas cidades: Leon, Sevilha, Salamanca, etc., onde cada um de nós trabalha na propagação da Doutrina, o que consideramos como nossa missão.

 Seguindo os conselhos de Fénelon, vamos publicar um jornal espírita. Desejando ilustrá-lo com extratos tirados das obras que publicastes, pedimos que nos concedais a permissão. Além disso, ficaríamos muito contentes com a vossa benévola cooperação e, para tal fim, pomos à vossa disposição as colunas do nosso jornal.

 Agradecendo-vos antecipadamente, rogamos saudar, em nosso nome, os nossos irmãos da Sociedade de Paris.

 E vós, caro senhor, recebei o fraternal abraço de vossos irmãos. Por todos,

Manuel Gonzalez Soriano


 Em muitas ocasiões já dissemos que a Espanha contava numerosos adeptos, sinceros, devotados e esclarecidos. Aqui, não é mais devotamento, é abnegação; não uma abnegação irrefletida, mas calma, fria, como a do soldado que marcha para o combate, dizendo: Custe-me o que custar, cumprirei o meu dever. Não é essa coragem que flameja como um fogo de palha e se extingue ao primeiro alarme; que, antes de agir, calcula cuidadosamente o que pode perder ou ganhar: é o devotamento daquele que põe o interesse de todos acima do interesse pessoal.

 Que teria sucedido às grandes idéias que fizeram avançar o mundo, se só tivessem encontrado defensores egoístas, devotados em palavras enquanto nada tivessem a temer e a perder, mas se dobrando ante um olhar de ameaça e o medo de comprometer algumas parcelas de seu bem-estar? As ciências, as artes, a indústria, o patriotismo, as religiões, as filosofias têm tido os seus apóstolos e os seus mártires. O Espiritismo também é uma grande idéia regeneradora; apenas surge; ainda não está completo, e já encontra corações devotados até a abnegação, até o sacrifício; devotamentos muitas vezes ignorados, não buscando a glória nem o brilho, mas que, por agir numa pequena esfera, nem por isso são menos meritórios, porque moralmente mais desinteressados.

 Contudo, em todas as causas, os devotamentos em plena luz são necessários, porque eletrizam as massas. Não está longe o tempo, isto é certo, em que o Espiritismo terá também seus grandes defensores que, afrontando os sarcasmos, os preconceitos e a perseguição, empunharão sua bandeira com a firmeza que dá a consciência de fazer uma coisa útil; apoiá-lo-ão com a autoridade de seu nome e de seu talento, e seu exemplo arrastará a multidão dos tímidos que, por prudência, se tenham mantido afastados.

 Nossos irmãos da Espanha abrem a marcha; cingem os rins e se preparam para a luta. Que recebam os nossos cumprimentos e os de seus irmãos em crença de todos os países, porque entre os espíritas não há distinção de nacionalidades. Seus nomes serão inscritos com honra ao lado dos corajosos pioneiros, aos quais a posteridade deverá um tributo de reconhecimento, por terem sido os primeiros a pagar com suas pessoas e contribuído para o soerguimento do edifício.

 Significa dizer que o devotamento consiste em tomar o bastão de viagem para ir pregar pelo mundo a toda a gente? Não, certamente; em qualquer lugar onde se esteja pode-se ser útil. O verdadeiro devotamento consiste em saber tirar o melhor partido de sua posição, pondo ao serviço da causa, o mais utilmente possível e com discernimento, as forças físicas e morais que a Providência distribuiu a cada um.

 A dispersão desses senhores não se deveu à sua vontade. Reunidos, inicialmente, pela natureza de suas funções, estas os chamaram a vários pontos da Espanha. Longe de desanimarem por esse isolamento, compreenderam que, ficando unidos por pensamento e ação, poderiam fincar a bandeira em vários centros, e que assim sua separação redundaria em proveito da vulgarização da idéia.

 Assim se deu num regimento francês, onde um certo número de oficiais tinha formado grupos, dos mais sérios e mais bem organizados que vimos. Animados de um zelo esclarecido e de um devotamento a toda prova, seu objetivo era, primeiramente, instruir-se a fundo nos princípios da Doutrina e, depois, exercitasse na palavra, impondo-se a obrigação de tratar, cada um por sua vez, uma questão, para se familiarizarem na controvérsia. Fora de seu círculo pregavam pela palavra e pelo exemplo, mas com prudência e moderação; não procurando fazer a propagação a qualquer preço, a tornavam mais proveitosa. Deslocado o regimento, se espalharam por várias cidades; assim o grupo se dispersou materialmente, mas, sempre unido em intenções, prossegue sua obra em pontos diferentes.

Allan Kardec

Fonte: Revista Espírita - março de 1869


Confiram um resumo biográfico de Manuel González Soriano: http://grupoespiritaisladelapalma.wordpress.com/2010/01/03/manuel-gonzalez-soriano-1836-1885/

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Allan Kardec por Anna Blackwell



Pessoalmente Allan Kardec era de estatura média. Compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas, olhos pardos, claros, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo, cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação, pensador seguro e lógico, e eminentemente prático no pensamento e na ação. Era igualmente emancipado do misticismo e do entusiasmo... Grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse uma certa calma dignidade, resultante da seriedade e da segurança mental, que eram traços distintos de seu caráter. Nem provocava nem evitava a discussão mas nunca fazia voluntàriamente observações sobre o assunto a que havia devotado toda a sua vida, recebia com afabilidade os inúmeros visitantes de toda a parte do mundo que vinham conversar com ele a respeito dos pontos de vista nos quais o reconheciam um expoente, respondendo às perguntas e objeções, explanando as dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava com liberdade e animação, de rosto ocasionalmente iluminado por um sorriso genial e agradável, com quanto tal fosse a sua habitual seriedade de conduta que nunca se lhe ouvia uma gargalhada. Entre as milhares de pessoas por quem era visitado, estavam inúmeras pessoas de alta posição social, literária, artística e científica. O Imperador Napoleão 3º, cujo interesse pelos fenômenos espíritas não era mistério para ninguém, procurou-o várias vezes e teve longas palestras com ele nas Tuileries, sobre a doutrina de “O Livro dos Espíritos”.

Anna Blackwell

Fonte: História do Espiritismo. Autor: Arthur Conan Doyle.