segunda-feira, 18 de abril de 2011

Carta de Victorien Sardou a Allan Kardec

  
Hoje, dia 18 de abril, comemoramos 154 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos. Em  homenagem a este dia tão importante o Blog História do Espiritismo apresenta uma correspondência inédita do importante dramaturgo francês Victorien Sardou dirigida a Allan Kardec. Esta correspondência faz parte da série de correspondências inéditas de Allan Kardec que foram publicadas pela revista Reformador no início do século XX.
  
   Carta de Victorien Sardou a Allan Kardec
  

   Agradeço-vos, Sr., a presteza que empregastes em me remeter O Livro dos Espíritos.
   Eu tinha ânsia de lê-lo e deixei de lado todas as ocupações para entregar-me a essa leitura. Já cheguei quase no fim e posso desde já formular minha opinião sobre essa obra:
   É o livro mais interessante e mais instrutivo que tenho lido. É impossível que ele não tenha grande repercussão: todas as grandes questões da metafísica, de moral, ali estão elucidadas de maneira mais satisfatória: todos os grandes problemas ali são resolvidos, mesmo aqueles que os mais ilustres filósofos não resolveram: é o livro da vida, é o livro da humanidade.
   Recebei, Sr., meus cumprimentos pela maneira como classificastes e coordenastes os materiais fornecidos pelos próprios Espíritos: tudo é perfeitamente metódico, tudo se encadeia bem e vossa introdução é uma obra prima de lógica, de discussão e de exposição.
   Recebei Sr.        
                                                                                                                Victorien Sardou.

Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador em 1914, página 321. Tradutor desconhecido.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Resgate histórico - Carta de Allan Kardec a um Prisioneiro



Em dezembro de 1913, a Revue Spirite (na época dirigida por Paul Leymarie) e a revista brasileira Reformador passaram a publicar em conjunto algumas correspondências inéditas de Allan Kardec.  Pensava-se em publicá-las em ordem cronológica entre os anos de 1858 a 1869, porém a publicação foi interrompida por causa da Primeira Guerra Mundial (ver Reformador de 1974, página 261). O Blog História do Espiritismo está resgatando essas correspondências e passará a apresentá-las para o movimento Espírita.

Carta de Allan Kardec a um prisioneiro
   Sr., Recebi a carta que me escrevestes e à qual sinto que as ocupações não me tenham permitido responder mais cedo. Apesar de meu silencio não podeis duvidar de todo o interesse que tenho em vossa situação, sendo, sobretudo, os excelentes sentimentos de que estais animada e nos quais, graças à nova luz que se fez para voz, não duvido que persistais. Continue, pois, a vos esclarecer, tanto quanto vossa posição o permite e encontrareis nessa santa doutrina e nos conselhos de vossos guias espirituais, as forças necessárias para resistir aos maus arrastamentos e a expiação terrestre aceita por vós com resignação cristã vos libertará das provas de outro modo muito penosas, que teríeis de sofrer sem volta sincera para Deus.
   Imaginai que nunca é muito tarde para voltar ao bem e que Deus aceita todos os arrependimentos que partem do coração. Ele recebe com alegria a ovelha desgarrada que entra no aprisco e é isso sempre motivo de festa entre os Espíritos. Perseverai, pois, e quando deixardes a Terra para entrar em vossa verdadeira pátria, encontrá-los-eis à vossa chegada felizes por vos poderem estender os braços.
   Oh! Então, de que alegria sereis penetrado, quando tiverdes saído do abismo em que alguns passos mais poderiam precipitar-vos, por muito longo tempo, por séculos talvez! Olhai para trás, e vossa vida passada não vos parecerá mais que um mau sonho. Quanto então agradecereis a Deus ter-vos enviado bons Espíritos para vos esclarecer e sustentar!
   É já alguma coisa não praticar mais o mal e arrepender-se do que se fez; mas, para apagá-lo completamente, é preciso fazer o bem; ora, cada alma que tiverdes ajudado a entrar no bom caminho, vos será contada e ajuntará à vossa parte de felicidade futura alguma coisa, porque vos pagará em reconhecimento o serviço que lhe tiverdes prestado.
   Aquele que está sempre pronto a vos ajudar com seus conselhos, Allan Kardec.

Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador de 1914, paginas 170 e 171. Tradutor desconhecido.
Agradecimento: Nosso sincero agradicimento à bibliotecária Ana Prado, pelo envio deste material.
Outras obras consultadas: Barrera, Florentino - Resumo Analítico das obras de Allan Kardec. Madras, 2003, página 175.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cairbar Schutel - O Bandeirante do Espiritismo


(Cairbar Schutel)



Navegando pela internet, encontrei um interessante documentário contando a vida de Cairbar Schutel, o bandeirante do Espiritismo no Brasil. O documentário foi produzido pela extinta TV Morada do Sol, de Araraquara, São Paulo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Primeiro Encontro de Léon Denis com Allan Kardec

                                                     (Léon Denis)

Eduardo Carvalho Monteiro

 
Havia apenas três anos que Léon Denis se iniciara no Espiritismo quando, em 1867, Allan Kardec aceitou um convite para pronunciar uma conferência em Tours. Léon Denis teve então a oportunidade de se entrevistar com o Codificador na quinta de Leandre Rebondin, que hospedava o casal Rivail, conforme descreve o próprio Denis:

Alugáramos para recebê-lo e ouvi-lo, uma sala na Rua Paul Louis Courrier e pedíramos a necessária autorização à Prefeitura pois, durante o Império, uma severa lei proibia qualquer reunião de mais de vinte pessoas. Acontece que no momento fixado para essa assembléia fomos informados de que o nosso pedido fora indeferido. Encarregaram-me então de permanecer no local a fim de avisar os convidados de que deviam dirigir-se a Spirito-Villa, a casa do senhor Rebondin, na rua Sentier, onde a reunião se iria realizar no jardim. Éramos aproximadamente trezentos ouvintes, em pé, apertados de encontro às arvores. Sob a claridade das estrelas, a voz doce e grave de Allan Kardec fazia-se ouvir; podia-se ver a sua fisionomia, iluminada por uma pequena lâmpada colocada sobre uma mesa no centro do jardim, proporcionando um aspecto fantástico. Foram-lhe postas várias perguntas e ele respondia com bondade, sorridente... As flores do senhor Rebondin ficaram destruídas, mas o importante foi o sucesso daquela noite...lembrança perpétua e indelével. Falou-nos sobre a obsessão e várias questões lhe foram postas, às quais respondeu sempre bondosamente. Terminada a reunião, todos levaram inefáveis recordações desse memorável encontro.

No dia seguinte, voltei a Spirito-Villa, a fim de visitar o Mestre; encontrei-o trepado numa escada, ao pé de uma grande cerejeira, apanhando os frutos que deitava a madame Allan Karde.Uma cena bucólica que o distraía das suas graves preocupações.

No seu artigo “História do Desenvolvimento do Espiritismo em Tours”, Denis completa a informação dos seus contactos com o mestre de Lyon: Eu vi-o mais duas vezes depois da sua viagem a Tours: na sua residência na Rua Saint Anne, em Paris, e pela última vez em Bonneval, na quinta Petit Bois, onde os espíritas do Eure-et-Loire e Loire-et-Cher estavam reunidos para ouvir os seus discursos e confraternizarem. No ano seguinte, em 1869, morria ele subitamente pela ruptura de um aneurisma.

A Rua Sentier, em Spirito-Villa, tornou-se um lugar importante e histórico para o Espiritismo, pois foi onde aconteceu a primeira conferência espírita à luz das estrelas, e onde se deu o primeiro dos três encontros que Léon Denis teve com Allan Kardec.

Esta importância histórica levou-nos a conhecer o local no ano 2000. O que era uma quinta, em cujo jardim puderam instalar-se 300 pessoas, conforme relata Denis, foi dividida em lotes ainda naquela época, e hoje abriga casas centenárias muito bem cuidadas pelos seus moradores. Uma pequena rua só para peões, dá entrada a Spirito-Villa, a qual percorremos emocionados. Escolhemos uma casa com um vasto jardim, que imaginamos ser uma parte daquele pisado por Allan Kardec para a sua conferência e, com um pouco de receio, tocamos a campainha. Um jovem atendeu e, falando em inglês, pedimos para fotografar o jardim da sua casa, já que éramos pesquisadores e escritores brasileiros e ali, há mais de 130 anos, dera-se um acontecimento muito importante para nós. Confessamos que tínhamos receio de sermos mal recebidos, perante a inusitada história contada. Porém, para surpresa nossa, o jovem André, muito gentil, franqueou-nos a entrada e foi chamar a sua simpática avó, Madame Madeleine Renaud que, além da sua amizade, nos ofereceu uma cópia dos documentos da propriedade, datados de 1840 e autenticados com o selo em branco de Napoleão. Não há dúvida que um documento como este pode não representar quase nada para a história do Espiritismo, mas a fidalguia e a amizade com que aquela família de Tours nos recebeu e confiou nos motivos pelos quais dois desconhecidos, que não falavam a sua língua, lhes bateram à porta, foi quase tão emocionante como pisarmos aquela terra em que sabíamos que dois gigantes do pensamento humano tinham deixado as suas marcas há mais de cem anos. Foi, pois, com os olhos nublados e a recordar a descrição de Léon Denis do seu encontro com o mestre, que passamos alguns minutos naquele jardim, fazendo uma sentida prece e tentando transportar a nossa mente para o distante ano de 1868, para ouvir os ecos das palavras do mestre sob a luz da lamparina e tendo por teto a abóbada celeste. Parecia que a terra ainda guardava a doçura das cerejas caídas aos pés de Amélie Boudet e que o farfalhar das folhas secas, denunciando a chegada do jovem Léon Denis atrasado para o início da reunião, ainda era ouvido pela nossa fantasista audição. E o mesmo sentimento bucólico que Denis viu naquela cena, ele no-lo emprestou, e a nossa imaginação voou alto, muito alto...

Aos privilegiados trezentos ouvintes daquela memorável conferência, somara-se mais um...

Fonte: http://www.geb-portugal.org/Admin/Ficheiros/oencontr369.pdf

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Blog História do Espiritismo Divulgado


A Revista Espírita Histórica e Filosófica, de Porto Alegre, vem nos brindando com excelentes matérias de conteúdo doutrinário e resgate histórico do Espiritismo a cada número que publica. Em sua última edição (edição de número 9), a revista divulgou nosso Blog e publicou uma entrevista nossa. Eis a entrevista na integra: 

REHF - Como surgiu a idéia do Blog?
FELIPE - Desde o meu primeiro contato com a internet que eu a utilizo para estudar o Espiritismo e para buscar registros da história do movimento espírita no mundo. Aprendi muito e também consegui muitas informações preciosas, graças ao esforço de pessoas que procuraram compartilhar seus conhecimentos através da internet. A idéia do blog surgiu quando eu me dei conta de que eu também poderia compartilhar os meus conhecimentos com outras pessoas através da internet.

REHF - Qual a importância da internet na divulgação do Espiritismo?
FELIPE - Uma importância enorme.  A internet é hoje uma das ferramentas mais utilizadas do mundo e serviu para minimizar as distâncias que existem entre os países. Os espíritas não podem ficar negligentes a este fato. Pode-se, portanto, fazer com que a internet seja uma excelente ferramenta para divulgar o Espiritismo para o mundo todo. Contudo, acredito que seja importante fazer um alerta: nem tudo aquilo que se apresenta como sendo espírita o é de fato. É importante ser bastante criterioso antes de aceitar que determinada informação seja uma legítima informação de conteúdo espírita. Não há outra maneira de se adquirir tal critério que o estudo constante das obras de Allan Kardec.

REHF - Por que elegeu a história em teus trabalhos espíritas?
FELIPE - Me apaixonei pela história muito cedo. Lembro-me até hoje do conteúdo de algumas aulas de história que eu tive no primário. Quando eu contava com dezoito anos de idade,  li o livro “A História do Espiritismo” (The History of Spiritualism, título original), de Arthur Conan Doyle e passei e me interessar também pela história do Espiritismo. Desde então tenho procurado conhecer tudo o que já foi escrito a respeito do tema.

REHF - Quais os projetos que está desenvolvendo para o futuro do blog?
FELIPE - Pretendo que o conteúdo do blog possa abranger a maior parte dos lugares onde o Espiritismo se fez presente no passado. E ainda, norteado por uma sugestão de Allan Kardec publicada na Revista Espírita de 1864, pretendo discorrer sobre as causas que puderam favorecer ou retardar o desenvolvimento do Espiritismo nesses locais.

Nota do Blog:

Nossos sinceros agradecimentos aos amigos Cristian Macedo (historiador) e Maria Carolina Gurgacz (editora da revista) pela divulgação e pela entrevista. Quem quiser adquirir a revista na integra ou fazer uma assinatura, entre em contato com Maria Carolina Gurgacz pelo e-mail:  filosofiaespirita@gmail.com. Conheçam também o site: http://revista.filosofiaespirita.com/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas




Membros titulares e membros livres 1858-1869

A - Mme. A., M. Adrien, M. Albert, M. Amy.
B - Mme. B., Mme. A. de B., M. B. de M., M. Charles B., M. Bertrand, M. Emile Blin, M. Boiste, capitão B. ou capitão A. Bourgés, Mme. Boyer, coronel Bruneau.
C - M. C., professor M. C., conde R. C., M. Canaguier, Mme. De Cardone o Mme. C., M. e Mme. Canu, M. y Mme. Cazemajour, M. Camille Chaigneau, M. y Mme. Clément, M. Collin, M. Antoine Costeau, Mme. Costel, Mme. Courtois, advogado J.P.L. Crouzet, M. Crozet.
D - Mme. D., M. D., M. Arnald D’ Ambel, M. Darcol, M. e Mme Alexandre Delanne, M. Demange, Mme. Desi, Mme. Deslandes, M. e Mme. Armand Thèodore Desliens, M. Det, Mlle. Marie Alexandrine Didelot, M. Alfred Didier (pai), M. Alfred Didier (filho), M. Dombre (honorário), Mlle. Dobois, M. e Mme. Dufaux, Mlle. Ermance Dufaux, M. Duscatel.
E - Mlle. Eugènie.
F - M. e Mme. Finet, M. Camille Flammarion, M. Fortier, M. Fourtier.
G - M. G., Mme. viuva de G., doutor de Grand-Boulogne.
H - Mme. H., M. Habach, Mlle. Huet.
J - M.J., Mlle. L.J, M. e Mme. Japhet, Mlle. Ruth Céline Japhet, M. Jean (honorário), M. Jobard, de Bruxelas (honorário), M. Hubert Joly, M. Jonty.
K - M. Krafzoff.
L - Mme. L., M. Labourgeais, M. e Mme. Lampérière, Mlle. Lateltin, M. Lazaro, M. e Mme. Charles Julien Leclerc, M. Ledoyen, M. Edouard Pierre Le Roux, Mme. Lesc., M. e Mme. Jules Nestor Anatolie Levent, M. e Mme. Pierre Gaëtan Leymarie, Mlle. Lida, M. e Mme. Lubrat.
M - Mme. M, M. e Mme. E. Antolie Malet, M. P. F. Monvoisin, M. Morin, M. E. Müller.
N - Mme. N., conde de N. (livre), M. Nant, M. e Mme. Netz, M. Nivard.
P - M. P., Mlle. P ou Mlle. Parissé, Mme. P ou Mme. Parissé, Mme. Pâtet, M. Pécheur, M. Perchet, Mme. De Planinemaison, M. Poudra.
R - M. Achille R., conde de R., M. R. (membro do instituto da França), M. Raboche, Mme. Rakowska, M. Ravan, M. Regnez, M. e Mme. D.H.L. Rivail, M. Julien Rob, Mlle. Marie Robyns, Mme. Roger, M. Rouxel, M. Royer, M. Roze, M. Rul.
S - Mme. S. Mlle. Stéphanie S, M. Emile Sabô, M. Sanson, Mme. Schmidt, M. Solichon, Mlle. Solichon, M. Solve.
T - M. T., M. Tailleur, M. Theubert, M. Thiery.
V - M. Louis Vavasseur, M. E. Vézy, doutor Vignal.
W - M. Winz.
X - M. Xavier
Z - Conde de Z.

Os Médiuns (1858 - 1869)

A - Mme. A., M. Adrien (vidente), M. Albert.
B - Mme. B, Mme. A de B., M. B. de M., M. Charles B., M. Bertrand, Mme. Boyer, M. Br., Mme. Breal, Mlle. Bréguet, Mme. Breul.
C - M. C., Mme. de Cardone ou Mme. C., Mlle. Aline Carlotti ou Mlle. Aline C., Mme. Causse, Mme. Cazemajour, M. Cammile Chaigneau ou M. Ch., M. Collin, Mme. Costel, M. Crozet.
D - M. D., Mme. D., M. Arnald D’Ambel, M. Darcol, Mme. Alexandre Delanne, M. Alexandre Delanne, Mme. Desi, Mme. Armand T. Desliens, M. Armand T. Desliens, M. Alfred Didier (filho), Mlle. Dubois, Mlle. Emance Dufaux.
E - Mlle. Eugénie.
F - M. Camille Flammarion ou M.C.F.
G - Mme. G., Mme. viuva de G., doutor de Grand-Boulogne.
H - Mlle. Huet.
J - Mlle. L.J (medium desenhista), Mlle. Ruth Céline Japhet, M. Jonty.
L - Mme. L., Mme. Lampérière, M. ampérière, Mlle. Lateltin, , Mme. Leclerc, Mme. Lesc.,  Marina Duclos Mme. Pierre Gaëtan Leymarie, M. Pierre Gaëtan Leymarie, Mlle. Lida, Mme. Lubrat.
M - Mme. M., Mme. E. Antolie Malet, M. Morin.
N - M. Nivard.
P - Mme. P., Mlle. Parissé, Mme. Pâtet, M. Pécheur, M. Perchet, Mme. De Planinemaison.
R - M. R., M. Raboche, M. Julien Rob, Mlle. Marie Robyns, Mme. Roger, M. Rouxel, M. Royer, M. Roze.
S - Mlle. Stéphan ou Stéphanie S., Mme. Schmidt, Mlle. Solichon.
T - M. Tail. ou Tailleur.
V - M. Louis Vavasseur (médium poeta), M. E. Vézy.
W - M. Winz (médium pintor)
X - M. Xavier

Membros Correspondentes (1858 - 1869)

França:
M. B.; M. e Mme. Emile Colligon, de Bordeaux; M. Crozet, de L’Havre; M. Léon Denis, de Tours; M. Dombre, de Marmande; professor Brion D’Orgeval, de Toulouse; M. Timoléon Jaubert, de Cacassonne; Mme. R. Jura; M. L., de Troyes; M. S., de Bordeaux.

Exterior:
M. S.L. Bernardaky, de São Petersburgo; Miss Anna Blackwell, de Londres; professor Constantin Delhez, de Viena; José Maria de Fernández Colavida, de Barcelona; M. e Mme. Forbes, de Londres; Dr. Gotti, de Gênova; Dr. De Grand-Boulogne, de Havana; M. Jobard, de Bruxelas; Mme. Elisa Johnson, de Londres; M. Julien, de Belfast; M. Maurice Lachâtre, de Barcelona; conde de N., de Moscou, Sr. Alberico Perón (pseudônimo de Enrique Pastor y Bedoya), de Madri; conde Alexandre Stembock, de São Petersburgo; M. Sérge de M., de Moscou; M. Indermulhe de Wytenbach, de Berna.

Nota do blog:

Esta excelente pesquisa foi realizada pelo saudoso espírita argentino Sr. Florentino Barrera e foi publicada na obra La Sociedad de París, 2ª edição revisada e aumentada, Ediciones Vida Infinita, Buenos Aires, 2002, p. 60 até 63.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Colavida, o "Kardec espanhol"



Nascido quinze anos depois de Allan Kardec, José Maria Fernandez Colavida perdeu os bens, a família, mas encontrou o consolo n' O Livro dos Espíritos, ganho do capitão da marinha. Ele viria a se tornar um dos maiores divulgadores do Espiritismo na Espanha


 Eduardo Carvalho Monteiro



José Maria Fernandez Colavida nasceu dia 19 de março de 1819, em Tortosa, na província de Taragona. Filho de pais afortunados, ele recebeu, nos seus primeiros anos, instrução das mais significativas para sua época. Seu pai, D. Pio, secretário do governo militar e político de Tortosa, com a morte do rei Fernand VII, sofreu muitas perseguições daqueles que invejavam sua sorte, chegando a ser destituído do cargo e exilado.
 Estas perseguições se estenderam a toda a família, particularmente, a José Maria Fernandez, por ser o primogênito dos oito filhos de D. Pio. Isso o obrigou a abandonar o seio paterno e seu país, antes dos 16 anos, e a prestar seus serviços voluntários ao Exército. Em 1º de novembro de 1835 ele se incorporou na 6ª Companhia do 1º Batalhão de Tortosa sob as ordens do comandante Louis Llagostera. Colavida foi feito prisioneiro em Morella, após heróica defesa deste lugar como tenente-coronel. Foi, posteriormente, transportado a Cadiz com outros prisioneiros de guerra, tomando conhecimento, durante o trajeto, da execução de seu pai, fuzilado em 15 de julho de 1835.
Todas essas tristezas, sem dúvida, influíram a alma de Fernandez, fazendo com que ele trabalhasse, mais tarde, pela paz, muito mais do que o fez na guerra.
A luta termina e ele recobra a liberdade em 25 de setembro de 1841, voltando a Barcelona, onde resolveu acabar seus estudos de notário. Colavida não exerceu a profissão, mas ficou à testa da repartição na qual trabalhou.
Sua iniciação no estudo do Espiritismo teve lugar em uma viagem que fez a Madrid, quando leu O Livro dos Espíritos, cedido pelo capitão da Marinha Mercante Ramon Lagier y Pomares.
Fernandez Colavida, que sempre se distinguiu por sua caridade extrema, foi um dos mais entusiastas fundadores da Sociedade Amigos dos Pobres. Defendendo os interesses desta Sociedade, a qual presidiu, ganhou muitos inimigos.
 No momento do apogeu da última guerra carlista, ele lutou empenhando todos os seus esforços para conseguir a paz, com seu gênio e seus eminentes sacrifícios. Colavida reuniu, para fazer chegar às mãos armadas dos carlistas, milhares de proclamações pela paz. Teve a felicidade de ver sua empreitada coroada de sucesso e recusou todas as recompensas, inclusive quando lhe foi oferecida a patente de coronel.

Apóstolo do Espiritismo


Pelos grandes empreendimentos que liderou na sua trajetória de divulgador e praticante do Espiritismo, por suas renúncias e dedicação aos mais carentes, Colavida, um dos apóstolos do Espiritismo na Espanha, foi considerado o "Kardec espanhol". Sua fortuna e a de sua família foram reduzidas pelos azares da guerra civil, e tudo o que ganhava pelo seu trabalho, doava aos miseráveis ou consagrava à propaganda espírita, já que perdera o pai, como dito, e também a mãe, em morte violenta. Mas seu caráter era por todos reconhecido, devido à humildade e modéstia.
O Congresso Espírita de 1888 se reuniu em Barcelona, ocasião em que Colavida foi aclamado, com entusiasmo, presidente honorário; justa recompensa por seus méritos.

Empreendimentos de Colavida

Aconselhado pelos espíritos, ele começou a tradução e a publicação das obras fundamentais do Espiritismo. Mas, não se contentando apenas com estas publicações, funda o primeiro Centro de Estudos Espíritas em Barcelona e a Sociedade Barcelonesa Propagandista do Espiritismo, que ele sustentou da mesma maneira que a Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, de Allan Kardec. O primeiro número apareceu em maio de 1869.
 Colavida era a alma do jornal e da Sociedade que em 1875 já havia publicado as obras fundamentais da Doutrina, os resumos de Allan Kardec, além de A Verdadeira Doutrina Espírita, Harmonia da Lei e da Razão, O Espiritismo na Bíblia, Harmonia Universal, duas edições da Coleção de Orações, Melodia para o Espírito de Isem, Celeste e Ensaios de um Quadro Sinótico para a Unidade Religiosa do Espírito Romano Leila. Tudo isso faz de Fernandez Colavida o mais importante divulgador do Espiritismo na Espanha em sua época.

Propagação do Espiritismo

Durante o período de trinta anos, ele se dedicou assiduamente ao estudo e à propagação do Espiritismo. Os estudos profundos nos livros de Allan Kardec e da Revista Espírita, e as observações diretas dos espíritos nas sessões dos centros que fundou e dirigiu, deram-lhe grande conhecimento da ciência espírita, tornando-o conselheiro dos irmãos mais experimentados.
Reuniu numerosa e extensa correspondência, enfeixadas em volumes de ensinamentos. Também uns de seus mais importantes trabalhos foram os estudos sobre magnetismo, subordinados às observações e aos fins propostos pelo Espiritismo. Fora um grande magnetizador e desenvolvera grande número de médiuns sonâmbulos. Realizou notáveis experiências e obteve prodigiosos resultados em sonambulismo lúcido aplicado ao Espiritismo. Apoiava-se em sua esposa, Ana de Campos, médium de excepcionais dotes, falecida em 5 de maio de 1882, e com a qual fora casado por 16 anos.
Talvez pelo seu amor excessivo à ciência, abusou insensivelmente de suas poderosas faculdades, usando sua energia vital e minando forças na sua última doença. Colavida Fernandez também editou: Leila ou Provas de um Espírita (2º parte); Catecismo Espírita de Joseph Henri Turck; Lições de Espiritismo para as Crianças, O Espiritismo e a Moral, Obscuridade e Luzes, de Navarro Murillo, Contra os Cursos de Tarô, mesmo autor; O romance ouvido e executado ao piano pelos médiuns sonâmbulos, senhoritas Avelina Colom e Pilar Rafecas Cassy, inspiradas pelo espírito protetor do grupo A Paz e por último, a obra de Gabriel Delanne, O Espiritismo diante da ciência, traduzido do francês por D. Juan Juste.
Apesar das grandes perdas, ele não quis deixar seu sonho de fazer novas publicações espíritas, quando a morte veio surpreendê-lo. Um dos seus desejos, o último e maior, foi o de ver continuar sua obra de propaganda e, principalmente, sua querida revista.
Desencarnou em Barcelona em 29 de abril de 1909 (1)


Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=91&Itemid=37


Correção do blog:

1- A data do desencarne de Colavida não é 29 de abril de 1909, mas sim é 1 dezembro de 1888 (agradeço o lembrete da leitora Simoni Goidanich). Quem desencarnou em 29 de abril de 1909 foi outra grande figura do Espiritismo na Espanha, Amalia Domingo Soler.