quarta-feira, 15 de junho de 2011

Carta de Allan Kardec a Théophile Gautier

                                                             (Théophile Gautier por Félix Nadar - 1856) 


Dando seguimento à série de correspondências inéditas de Allan Kardec, o Blog História do Espiritismo apresenta uma carta de Allan Kardec dirigida ao importante escritor francês Théophile Gautier (1811 – 1872), autor do romance Spirite (ver comentários de Kardec a respeito do romance na Revista Espírita de dezembro de 1865 e março de 1866).


Paris, 12 de junho de 1857.
Senhor,
   Peço-vos que aceiteis a homenagem de um exemplar de O Livro dos Espíritos, que acabo de publicar.
   O ponto de vista novo, eminentemente sério e moral, sob o qual a doutrina dos Espíritos é encarada, explica o interesse que ligo a essa questão, ao mesmo tempo de futuro e de atualidade e ao qual creio que não sois estranho.
   Notareis, sem esforço, o passo imenso que esta teoria deu desde as mesas girantes; não se trata mais, com efeito, hoje, de fenômenos de simples curiosidade, mas de um ensinamento completo dado pelos próprios Espíritos sobre todas as questões que interessam a humanidade e que elevo á altura das ciências filosóficas.
   A aprovação de um homem como vós, ser-me-ia infinitamente preciosa, se tivesse a felicidade de obtê-la.
   Peço-vos que digneis receber a expressão de minha mais alta consideração.

                                                                                                                   Allan Kardec.
   
Rue des Martyrs, 8.



Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador em 1917, página 268. Tradutor desconhecido.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais uma correpondência inédita de Sardou



Dando continuidade à série de correspondências inéditas de Allan Kardec (ou direcionadas a ele) que foram publicadas pela revista Reformador no início do século XX, apresento mais uma carta de Victorien Sardou direcionada a Allan Kardec:

Caro Sr. Rivail.
Meu primo du Counet apresenta-me o Dr. B..., que tratou de Rachel até a sua última hora e pede-me que lhe facilite o estudo do Espiritismo. O Dr. tem visto muitos fatos de magnetismo e de sonambulismo; meu primo aconselhou-o a ler O Livro dos Espíritos e esta leitura produziu uma viva impressão no espírito do doutor; uma longa conversa que tive ontem com ele provou-me que está nas melhores disposições para entender os fenômenos espíritas. Venho, pois, pedir-vos para terdes a bondade de admiti-lo em vossa sessão de terça-feira. Se acolherdes o meu pedido, que é o do doutor, não tendes resposta a dar-me, em virtude do provérbio: - quem cala consente etc., etc.
                                                                                                                Victorien Sardou


Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador em 1914, página 321 e 322. Tradutor desconhecido.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Evento de lançamento do livro "A Temática Espírita na Pesquisa Contemporânea


Conteúdo do livro:

- Satisfação, desligamento e sofrimento de voluntários espíritas. Jáder dos Reis Sampaio, Dr.

- Projeto de 1868: A Proposta de Kardec para a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas analisada sob a perspectiva das práticas atuais de governança  corporativa. Marco Milani, Dr.

- Uma estratégia para a construção autoral na psicografia. Alexandre Caroli Rocha, Dr.

- Bergson e o Espiritismo: a evolução do princípio espiritual. Astrid Sayegh, Dra.

- Allan Kardec e o desenvolvimento de um programa de pesquisa em experiências psíquicas. Alexander Moreira-Almeida, Dr., Klaus Chaves Alberto, Dr.

- Anália Franco e sua ação sócio-educacional. Samantha Lodi, Mestre.

- Inácio Ferreira: a institucionalização da integração entre psiquiatria e espiritismo. Angélica A. Silva de Almeida, Dra.

- A ética da Psicologia e a religiosidade do psicólogo. Ercília Zilli, Mestre

- A cultura espírita no Rio Grande do Sul através do jornal “A Evolução”.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Carta de Victorien Sardou a Allan Kardec

  
Hoje, dia 18 de abril, comemoramos 154 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos. Em  homenagem a este dia tão importante o Blog História do Espiritismo apresenta uma correspondência inédita do importante dramaturgo francês Victorien Sardou dirigida a Allan Kardec. Esta correspondência faz parte da série de correspondências inéditas de Allan Kardec que foram publicadas pela revista Reformador no início do século XX.
  
   Carta de Victorien Sardou a Allan Kardec
  

   Agradeço-vos, Sr., a presteza que empregastes em me remeter O Livro dos Espíritos.
   Eu tinha ânsia de lê-lo e deixei de lado todas as ocupações para entregar-me a essa leitura. Já cheguei quase no fim e posso desde já formular minha opinião sobre essa obra:
   É o livro mais interessante e mais instrutivo que tenho lido. É impossível que ele não tenha grande repercussão: todas as grandes questões da metafísica, de moral, ali estão elucidadas de maneira mais satisfatória: todos os grandes problemas ali são resolvidos, mesmo aqueles que os mais ilustres filósofos não resolveram: é o livro da vida, é o livro da humanidade.
   Recebei, Sr., meus cumprimentos pela maneira como classificastes e coordenastes os materiais fornecidos pelos próprios Espíritos: tudo é perfeitamente metódico, tudo se encadeia bem e vossa introdução é uma obra prima de lógica, de discussão e de exposição.
   Recebei Sr.        
                                                                                                                Victorien Sardou.

Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador em 1914, página 321. Tradutor desconhecido.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Resgate histórico - Carta de Allan Kardec a um Prisioneiro



Em dezembro de 1913, a Revue Spirite (na época dirigida por Paul Leymarie) e a revista brasileira Reformador passaram a publicar em conjunto algumas correspondências inéditas de Allan Kardec.  Pensava-se em publicá-las em ordem cronológica entre os anos de 1858 a 1869, porém a publicação foi interrompida por causa da Primeira Guerra Mundial (ver Reformador de 1974, página 261). O Blog História do Espiritismo está resgatando essas correspondências e passará a apresentá-las para o movimento Espírita.

Carta de Allan Kardec a um prisioneiro
   Sr., Recebi a carta que me escrevestes e à qual sinto que as ocupações não me tenham permitido responder mais cedo. Apesar de meu silencio não podeis duvidar de todo o interesse que tenho em vossa situação, sendo, sobretudo, os excelentes sentimentos de que estais animada e nos quais, graças à nova luz que se fez para voz, não duvido que persistais. Continue, pois, a vos esclarecer, tanto quanto vossa posição o permite e encontrareis nessa santa doutrina e nos conselhos de vossos guias espirituais, as forças necessárias para resistir aos maus arrastamentos e a expiação terrestre aceita por vós com resignação cristã vos libertará das provas de outro modo muito penosas, que teríeis de sofrer sem volta sincera para Deus.
   Imaginai que nunca é muito tarde para voltar ao bem e que Deus aceita todos os arrependimentos que partem do coração. Ele recebe com alegria a ovelha desgarrada que entra no aprisco e é isso sempre motivo de festa entre os Espíritos. Perseverai, pois, e quando deixardes a Terra para entrar em vossa verdadeira pátria, encontrá-los-eis à vossa chegada felizes por vos poderem estender os braços.
   Oh! Então, de que alegria sereis penetrado, quando tiverdes saído do abismo em que alguns passos mais poderiam precipitar-vos, por muito longo tempo, por séculos talvez! Olhai para trás, e vossa vida passada não vos parecerá mais que um mau sonho. Quanto então agradecereis a Deus ter-vos enviado bons Espíritos para vos esclarecer e sustentar!
   É já alguma coisa não praticar mais o mal e arrepender-se do que se fez; mas, para apagá-lo completamente, é preciso fazer o bem; ora, cada alma que tiverdes ajudado a entrar no bom caminho, vos será contada e ajuntará à vossa parte de felicidade futura alguma coisa, porque vos pagará em reconhecimento o serviço que lhe tiverdes prestado.
   Aquele que está sempre pronto a vos ajudar com seus conselhos, Allan Kardec.

Nota do Blog: Esta correspondência foi publicada pela revista Reformador de 1914, paginas 170 e 171. Tradutor desconhecido.
Agradecimento: Nosso sincero agradicimento à bibliotecária Ana Prado, pelo envio deste material.
Outras obras consultadas: Barrera, Florentino - Resumo Analítico das obras de Allan Kardec. Madras, 2003, página 175.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cairbar Schutel - O Bandeirante do Espiritismo


(Cairbar Schutel)



Navegando pela internet, encontrei um interessante documentário contando a vida de Cairbar Schutel, o bandeirante do Espiritismo no Brasil. O documentário foi produzido pela extinta TV Morada do Sol, de Araraquara, São Paulo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Primeiro Encontro de Léon Denis com Allan Kardec

                                                     (Léon Denis)

Eduardo Carvalho Monteiro

 
Havia apenas três anos que Léon Denis se iniciara no Espiritismo quando, em 1867, Allan Kardec aceitou um convite para pronunciar uma conferência em Tours. Léon Denis teve então a oportunidade de se entrevistar com o Codificador na quinta de Leandre Rebondin, que hospedava o casal Rivail, conforme descreve o próprio Denis:

Alugáramos para recebê-lo e ouvi-lo, uma sala na Rua Paul Louis Courrier e pedíramos a necessária autorização à Prefeitura pois, durante o Império, uma severa lei proibia qualquer reunião de mais de vinte pessoas. Acontece que no momento fixado para essa assembléia fomos informados de que o nosso pedido fora indeferido. Encarregaram-me então de permanecer no local a fim de avisar os convidados de que deviam dirigir-se a Spirito-Villa, a casa do senhor Rebondin, na rua Sentier, onde a reunião se iria realizar no jardim. Éramos aproximadamente trezentos ouvintes, em pé, apertados de encontro às arvores. Sob a claridade das estrelas, a voz doce e grave de Allan Kardec fazia-se ouvir; podia-se ver a sua fisionomia, iluminada por uma pequena lâmpada colocada sobre uma mesa no centro do jardim, proporcionando um aspecto fantástico. Foram-lhe postas várias perguntas e ele respondia com bondade, sorridente... As flores do senhor Rebondin ficaram destruídas, mas o importante foi o sucesso daquela noite...lembrança perpétua e indelével. Falou-nos sobre a obsessão e várias questões lhe foram postas, às quais respondeu sempre bondosamente. Terminada a reunião, todos levaram inefáveis recordações desse memorável encontro.

No dia seguinte, voltei a Spirito-Villa, a fim de visitar o Mestre; encontrei-o trepado numa escada, ao pé de uma grande cerejeira, apanhando os frutos que deitava a madame Allan Karde.Uma cena bucólica que o distraía das suas graves preocupações.

No seu artigo “História do Desenvolvimento do Espiritismo em Tours”, Denis completa a informação dos seus contactos com o mestre de Lyon: Eu vi-o mais duas vezes depois da sua viagem a Tours: na sua residência na Rua Saint Anne, em Paris, e pela última vez em Bonneval, na quinta Petit Bois, onde os espíritas do Eure-et-Loire e Loire-et-Cher estavam reunidos para ouvir os seus discursos e confraternizarem. No ano seguinte, em 1869, morria ele subitamente pela ruptura de um aneurisma.

A Rua Sentier, em Spirito-Villa, tornou-se um lugar importante e histórico para o Espiritismo, pois foi onde aconteceu a primeira conferência espírita à luz das estrelas, e onde se deu o primeiro dos três encontros que Léon Denis teve com Allan Kardec.

Esta importância histórica levou-nos a conhecer o local no ano 2000. O que era uma quinta, em cujo jardim puderam instalar-se 300 pessoas, conforme relata Denis, foi dividida em lotes ainda naquela época, e hoje abriga casas centenárias muito bem cuidadas pelos seus moradores. Uma pequena rua só para peões, dá entrada a Spirito-Villa, a qual percorremos emocionados. Escolhemos uma casa com um vasto jardim, que imaginamos ser uma parte daquele pisado por Allan Kardec para a sua conferência e, com um pouco de receio, tocamos a campainha. Um jovem atendeu e, falando em inglês, pedimos para fotografar o jardim da sua casa, já que éramos pesquisadores e escritores brasileiros e ali, há mais de 130 anos, dera-se um acontecimento muito importante para nós. Confessamos que tínhamos receio de sermos mal recebidos, perante a inusitada história contada. Porém, para surpresa nossa, o jovem André, muito gentil, franqueou-nos a entrada e foi chamar a sua simpática avó, Madame Madeleine Renaud que, além da sua amizade, nos ofereceu uma cópia dos documentos da propriedade, datados de 1840 e autenticados com o selo em branco de Napoleão. Não há dúvida que um documento como este pode não representar quase nada para a história do Espiritismo, mas a fidalguia e a amizade com que aquela família de Tours nos recebeu e confiou nos motivos pelos quais dois desconhecidos, que não falavam a sua língua, lhes bateram à porta, foi quase tão emocionante como pisarmos aquela terra em que sabíamos que dois gigantes do pensamento humano tinham deixado as suas marcas há mais de cem anos. Foi, pois, com os olhos nublados e a recordar a descrição de Léon Denis do seu encontro com o mestre, que passamos alguns minutos naquele jardim, fazendo uma sentida prece e tentando transportar a nossa mente para o distante ano de 1868, para ouvir os ecos das palavras do mestre sob a luz da lamparina e tendo por teto a abóbada celeste. Parecia que a terra ainda guardava a doçura das cerejas caídas aos pés de Amélie Boudet e que o farfalhar das folhas secas, denunciando a chegada do jovem Léon Denis atrasado para o início da reunião, ainda era ouvido pela nossa fantasista audição. E o mesmo sentimento bucólico que Denis viu naquela cena, ele no-lo emprestou, e a nossa imaginação voou alto, muito alto...

Aos privilegiados trezentos ouvintes daquela memorável conferência, somara-se mais um...

Fonte: http://www.geb-portugal.org/Admin/Ficheiros/oencontr369.pdf